Tramita no Congresso projeto de lei o qual quer tornar crime a discordância de opiniões acerca de um evento histórico. Qual poder faz calar os intrépidos jornalistas?

Restrição da liberdade de pesquisa conta com o apoio da mídia

Nada se ouve nada na mídia, pois o tema virou tabu junto aos editores dos grandes veículos de comunicação. Muitos se veem diretamente envolvidos a ele, mas já não conseguem mais se livrar do conflito emocional, condição sine qua non para atuar no ramo do jornalismo objetivo. O silêncio é notório.

Desde maio de 2007 – 60 anos após a abertura da sessão extraordinária da ONU sobre a Questão Palestina – tramita nos bastidores da Câmara dos Deputados, em Brasília, o Projeto de Lei apresentado pelo ex-deputado Marcelo Zaturansky Itagiba (RJ), que resultará, entre outras consequências, na restrição da pesquisa científica em território nacional.

Neste PL, o deputado quer transformar em dogma um episódio da história, punindo com o rigor da lei aquele pesquisador que revisar e discordar da atual versão imposta acerca do tema. Uma afronta direta à liberdade de pesquisa acadêmica. Segundo o texto, apresentado junto à Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o deputado quer penalizar “quem negar ocorrência do holocausto ou de outros crimes contra a humanidade, com a finalidade de incentivar ou induzir a prática de atos discriminatórios ou de segregação racial“. A princípio, tal proposição parece ser consequência da resolução política da ONU de janeiro de 2007, e ela é frontalmente agressiva à liberdade conquistada pela sociedade brasileira desde a queda do regime militar.


Dois pesos, duas medidas = hipocrisia

Por mais que se deseje coibir legitimamente atos discriminatórios e de segregação racial, a liberdade de expressão deve ser defendida por todos. Já existem leis que punem acertadamente o incentivo à violência, discriminação gratuita e segregação racial. Por que criar aparentemente mais uma? O que se almeja na verdade com isso?

Observando o desenrolar dos fatos acerca deste episódio da historiografia mundial, é notória a movimentação política para proteger o Holocausto judeu de investigações históricas perpetradas por centenas de pesquisadores, variando desde indivíduos das mais diferentes correntes ideológicas até as mais variadas nacionalidades. Esta corrente científica denominada Revisionismo Histórico abrange diferentes assuntos, cresce vertiginosamente em todo o planeta e o tema Holocausto Judeu é o que atrai mais atenção.

Diversas “verdades” sobre o Holocausto viraram mitos e, estranhamente, essas estórias ainda são repetidas pelos veículos de informação. Não haveria de ser praxe a divulgação da verdade dos fatos? Por que então cultuar a mentira? Ignorância ou má-fé para preservar interesses econômicos e/ou geopolíticos?

Por que a luz do holofote da verdade não pode incidir sobre o Holocausto judeu? Haveria algo aqui a se esconder?

Na Alemanha, Áustria, Suíça, Hungria, Rússia, Bélgica, Portugal, França, Polônia e Holanda, onde o questionamento do Holocausto foi punido pela força da lei, há um incessante aumento de processos criminais que estão levando para atrás das grades inúmeras pessoas, as quais não admitem o cabresto na abordagem de temas científicos. São advogados, historiadores, engenheiros, químicos, publicitários, militares, sacerdotes religiosos, médicos, enfim, toda a sorte de acadêmicos e também de simples cidadãos que se interessam pela temática. A História deve permanecer dentro da Ciência e não se tornar mais uma vez instrumento da manipulação política. Felizmente, os espanhóis já se deram conta disso: em novembro de 2007, a Espanha revogou tal arbitrariedade jurídica, dando um basta a esta afronta à liberdade.

Pessoas são encarceradas somente pelo fato de terem escolhido pensar de forma diferente e autônoma. Não roubaram, não machucaram quem quer que seja. O que eles fizeram então? Eles cometeram o mais hediondo e execrável dos crimes, o mais perigoso crime para a elite financeira estabelecida: o “crime de pensamento“. Uma vez aprovada esta lei no Brasil, quantas milhares dessas pessoas podemos colocar na cadeia?

Que os políticos de Brasília não se curvem ante o lobby sionista, que usará de todos os meios para aprovar este Projeto de Lei. Não faltarão aqui palavras açucaradas como Direitos Humanos e Proteção de Minorias.

Marcelo Franchi